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Rastreamento
26 de julho de 2022
Desmistificando o Processo de Desenvolvimento de Produtos
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Publicado por
Luiz Sérgio Peixoto Almeida
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No nosso dia a dia estamos em contato com diversos produtos que facilitam nossa vida, seja no trabalho ou nos momentos de lazer.  Por vezes, essas soluções nos encantam e nos levam a perguntar: qual foi o processo seguido até que algo como um telefone celular, ou o computador usado para ler esse artigo,  esteja disponível para o cliente final?

Versões romantizadas nos levam a crer que visionários como Steve Jobs ou Elon Musk, capazes de mudar a forma como as pessoas interagem com um celular ou permitir uma nova era de viagens ao espaço através do reaproveitamento dos foguetes propulsores, simplesmente tiveram uma ideia disruptiva e todo o trabalho estava feito.

Sem dúvida a quebra de paradigmas, a criatividade, a vontade de fazer algo novo e melhor no momento da concepção é fundamental para o sucesso, mas até o produto estar disponível um esforço multidisciplinar entra em ação, envolvendo tarefas complexas em diferentes áreas de atuação.

Então, como um produto é criado?

O grande desafio das empresas de tecnologia é criar soluções que facilitem a rotina dos usuários e, às vezes, antecipar necessidades que os clientes ainda nem descobriram que possuem. Para isso, profissionais especialistas na concepção de produtos (Product Managers, Product Owners, R&D Managers, etc.) cruzam as necessidades levantadas por diferentes caminhos com as tecnologias disponíveis, criando assim um esboço do que poderá vir a ser determinado produto. O objetivo dessa etapa é gerar os requisitos funcionais, que servirão de base para a próxima fase.

Em seguida, áreas técnicas relevantes são envolvidas com o objetivo de refinar a especificação do produto em todos os aspectos presentes. Se estamos falando de um produto eletrônico, quais serão as interfaces com o usuário e com outros equipamentos? Qual será o poder de processamento, quantidade de memória, o tamanho físico, tipo de gabinete, robustez mecânica, arquitetura do software que será embarcado no equipamento? Qual será o tipo de linguagem de programação utilizada? Estes são apenas alguns exemplos, dentro da engrenagem da criação de um produto.

Não menos importante, o design do produto pode ser o fator determinante para o sucesso ou o fracasso e se relaciona com a usabilidade e com a percepção que o cliente terá, influenciando inclusive o nicho de mercado e o preço praticado. Ao fim dessa etapa de pesquisa e investigação teremos, finalmente, os requisitos técnicos para o produto.

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Depois de todos os aspectos anteriores terem sido estudados e definidos, está na hora de meter a mão na massa. Os Engenheiros Eletrônicos começam a busca dos componentes a serem utilizados no projeto de acordo com as especificações e fazem o projeto das placas de circuito impresso onde esses componentes serão montados, assim como outros itens como cabos, displays, teclados, etc.

Ao mesmo tempo, Engenheiros Mecânicos definem materiais e tecnologias de produção para as partes mecânicas. Gabinetes podem ser metálicos ou plásticos por exemplo e o projeto deve ser integrado com a eletrônica, não só fisicamente, mas funcionalmente (um gabinete mal projetado pode por exemplo impactar em comunicações por RF, tais como WiFi e Bluetooth). Além disso, os Engenheiros Mecânicos devem considerar as questões de design já definidas, aspecto tão importante quanto os de engenharia.

Finalmente, a equipe de desenvolvimento de software (que caso esteja embarcado em um equipamento é chamado de firmware) realiza a codificação de acordo com os requisitos funcionais e técnicos. Aqui temos sempre a preocupação de gerar um código eficiente em termos de velocidade de processamento e consumo de energia, utilizando o potencial da plataforma eletrônica à disposição. Geralmente não é necessário só o firmware, mas também plataformas de software que complementam o produto e não estão nos equipamentos em si, mas em computadores pessoais, celulares ou mesmo na nuvem. Ao fim desse processo, protótipos funcionais devem estar disponíveis, inclusive com a certificação pertinente finalizada (Anatel, ABNT, etc.).

Finalizado o desenvolvimento, os protótipos precisam ser produzidos em escala. Entram em cena Engenheiros de Produção, definindo processos, parceiros e fornecedores, juntamente com setores responsáveis pela cadeia de suprimentos.

Novamente profissionais de design são envolvidos para definir embalagens, profissionais de marketing cuidam do material e do processo de divulgação, profissionais da área comercial definem precificação e nicho de mercado a ser explorado, profissionais de logística cuidam da distribuição.

Em todas as fases já citadas, profissionais de gestão de pessoas e processos, além dos da área financeira e administrativa, estão sempre envolvidos direta ou indiretamente.

Desafios atuais

Fica difícil não perceber que nos últimos anos algo de incomum tem acontecido no mundo dos produtos eletrônicos, o que impacta diretamente a disponibilidade de itens como  placas especializadas para videogames e até componentes para montagem de automóveis.

O motivo para isso não tem uma causa única e muito menos uma solução simples. De forma geral, seria uma mistura de alta demanda por produtos eletrônicos e uma diminuição na capacidade de produção causadas pela pandemia. Soma-se também a dependência de um número reduzido e concentrado de fábricas de componentes eletrônicos a nível mundial. O resultado foi o aumento de preço e indisponibilidade de componentes eletrônicos e, consequentemente, dos produtos que deles dependem.

Enquanto grandes empresas e governos de alguns países fazem investimentos pesados na construção de caríssimas fábricas de componentes eletrônicos que podem levar anos para entrar em operação, engenheiros se viram como podem para criar e produzir produtos com os componentes que estão à disposição.

E como o que está disponível hoje pode não estar amanhã, tornou-se algo comum a geração de diferentes versões de hardware para que a produção possa ser possível. Além de todos os desafios de engenharia tradicionalmente presentes no desenvolvimento de um produto, a escassez de matéria prima trouxe preocupações relacionadas a uma produção com custo final e prazos de entrega dentro do esperado. Este cenário adicionou etapas recorrentes de reengenharia que impactam inclusive as fases de concepção.

Conclusão

Neste momento já deve ter ficado claro que uma grande ideia é fundamental, mas até que um produto esteja disponível no mercado diversas áreas com diferentes tipos de profissionais devem ser envolvidas e o trabalho está longe de ser trivial. É como uma corrente com vários elos onde cada um deles ajuda a sustentar o todo, cada um com sua importância e sua especialidade.

Assim como um só instrumento musical não faz uma sinfonia, apenas um profissional não cria um produto. Mas no fim, o objetivo é o mesmo: aplausos por uma condução bem feita. Gostou do nosso conteúdo? Assine a newsletter da Getrak e fique por dentro e tudo que produzimos por aqui.